Queridos aumigos, a quanto tempo, não é mesmo?
Viemos falar de coisa boa, viemos falar de tecpix...hahahahaha...
Estamos brincando. Só na parte do tecpix, porque falar de coisa boa vamos sim!
Hoje, mais uma vez, nossa brilhante amiga, Dr. Stéfane Valga, reservou um pouquinho do seu tempo, para conversar conosco e tirar algumas dúvidas sobre a especialidade dela: a oncologia.
O assunto dessa vez é Quimioterapia.
“Recebemos a notícia que nosso bichinho de estimação está com câncer e vai precisar de quimioterapia! E agora??”
Bate um desespero e lembramos de tudo que já ouvimos falar sobre este tipo de tratamento.
Alguns tutores já passaram ou conviveram com alguém próximo que passou pela experiência da quimioterapia na medicina humana. Trazem consigo a lembrança do sofrimento e, principalmente, dos efeitos colaterais causados pela quimioterapia, e não gostariam que seu cãozinho ou gatinho passasse por isso. É normal ter uma certa resistência, no entanto, este tratamento só é indicado em casos realmente necessários.
Mas, antes de falar sobre os nossos amigos de estimação, vamos explicar como agem os medicamentos da quimioterapia e porque causam os efeitos colaterais.
O câncer é formado a partir da multiplicação desordenada das células e os medicamentos usados na quimioterapia agem as atacando. Assim sendo, os quimioterápicos atacam o tumor. Os medicamentos usados na quimioterapia veterinária são os mesmos utilizados pela medicina humana, contudo, doses diferentes foram estipuladas para os animais (de acordo com o peso e tamanho).
No entanto, existem células no organismo que, naturalmente, se dividem mais rápido, sem causar nenhum dano à saúde (humana ou animal). Algumas delas são encontradas nos folículos pilosos (pelo e cabelo), no sistema digestivo (estômago e intestino) e no sangue. A partir daí, conseguimos entender melhor os efeitos colaterais mais comuns causados pela quimioterapia.
O primeiro efeito adverso da quimioterapia que nos vêm à cabeça, normalmente, é a queda de cabelo. Nos animais, este é o efeito menos comum, pois, ao contrário dos seres humanos, eles possuem algumas camadas de pelo, não permitindo que fiquem completamente carecas. Com exceção das raças com pelo de crescimento continuo como Maltês, Poodle, Lhasa Apso e Bichon Frisé, que podem vir a perder completamente o pelo, o que costuma acontecer é o pelo ficar mais opaco, quebradiço e demorar mais a crescer.
Outro efeito colateral muito comum nos seres humanos é a presença constante de vômitos e diarreia nos dias imediatamente após a sessão de quimioterapia. Apesar dos cuidados tomados como a administração de medicamentos para prevenir vômitos e/ou diarreias, pessoas submetidas a tratamento quimioterápico sofrem bastante com tais efeitos, a ponto de precisarem ficar internadas para evitar ou tratar a desidratação causada. Em relação a este efeito, os animais se mostram mais resistentes, pois raramente o apresentam e quando ocorrem, são episódios isolados.
O principal efeito colateral e o mais preocupante em relação aos animais de estimação é a imunossupressão, ou seja, a redução das células de defesa do organismo. Vocês lembram, no início do texto eu falei que as células do sangue eram uma das que, normalmente, se dividiam rapidamente, logo, acabam sendo alvos dos quimioterápicos? Logo, estas células são atacadas pelas drogas e tem sua população reduzida, e com isso, ocorrem efeitos como anemia (devido à morte de hemácias), infecções oportunistas (devido à morte das células de defesa), hemorragias pontuais (devido à redução das plaquetas). No entanto, precauções são tomadas para evitar que tais efeitos se tornem problemas. Exames de sangue periódicos são realizados para monitorar as células sanguíneas, antibióticos preventivos são aplicados após a primeira sessão para evitar infecções oportunistas e cuidados para evitar a infestação de parasitas (vermes, carrapatos e pulgas) que podem ser bastante prejudiciais em pacientes imunossuprimidos.
Com estes cuidados e a atenção do tutor, o animal passa pelo tratamento do câncer de maneira tranquila. Uma relação aberta e de confiança entre o tutor e o médico veterinário também são importantes para um sucesso terapêutico."
E então pessoal, o que acharam? respondeu muitas dúvidas, não é mesmo. Nos vemos na próxima, vamos continuar trabalhando para trazer sempre o melhor à vocês. Até a próxima aumigos.

